08
Nov
09

Só Jesus salva.

- Você ainda tá cheirando?

- Ah, às vezes sim, né? Normal, dar um relax.

- Sei… meio foda né guria?

- Claro que não, eu tenho TOTAL controle do meu corpo. Imagina, já fui viciada em pedra…. Quando namorava o fulano, que vendia pó, a gente chegou a morar em hotel de puta. Só escutava elas dando a noite inteira e aquele barulhinho de latinha dos viciados no corredor. Mas daí eu me recuperei e hoje, tô sussi. Por isso que posso cheirar bem tranqüila, sabe?

- Aham, sei.

- Andei meio embaladinha demais um tempo atrás. Resolvi cortar antes que tivesse que voltar pra Curitiba e pior, internada em Piraquara. hahaahahaha. Já pensou, que trash? Tive vários conhecidos meus que se perderam na pedra, imagina? Inclusive o primeiro namoradinho… Dedito podre desde a adolescência.

- É. Você é meio compulsiva, super se acha no controle de si mesma.

- Não, não, tenho certa tendência autodestrutiva, mesmo. É tipo… Fodeu mas vamos relaxar! É bem típico. Só é foda acordar freqüentemente com uma sensação péssima no dia seguinte, uma culpa horrorosa, vontade de ir à missa…

- Aham. Só Jesus salva, né meo?

- É.

06
Nov
09

Entra a bebida, sai a sinceridade.

No bar:

Garota 1 – Nossa, acho aquele cara muito foda.

Garota 2 – Qual?

Garota 1 – O fulano, ali atrevessando a rua.

Garota 3 – Ah…eu já fiquei com ele

Garota 2 – Eu também.

Coro de risadas.

Garota 1 – A fulana tb. Ela disse que ele possui um bom material.

Garota 2 – ahnn…não, não é assim. E ele fala MUITO na cama.

Garota 1 – Hã?

Garota 3 – É, já ouvi dizer isso mesmo. Diz que fala, fica falando, muito.

Garota 2 – É, fica falando, falando, falando. É um saco.

Garota 3 – E ele nem beija muito bem. E putz, ele é chato. Fica falando, se acha super culto. Muito culto. Só fala de coisas cultas. É chato.

Garota 1 – Hm. Olha ali ele com a namorada. Ela é doida. Linda, mas doida. Mas o que ele fica falando?

Garota 2 – Fica falando, sabe falando? Falando. O tempo todo, sabe?

Garota 1 – Aham, tô imaginando.

 

Aí em outro bar, mais tarde, 3 minutos de conversa com a nova conhecida:

- Ah menina, mas e eu que terminei meu NOIVADO em junho, imagine isso.

- É, daí é foda.

- É, aliança dourada no dedinho, papai, mamãe…mas daí, ele me traiu com uma puta.

- óssasinhora.

- É. Imagine. Mas você é linda, viu? Pode escolher a dedo os bofes que vai pegar.

- Aham.

- E não me diga que você ainda não quer pegar ninguém, porque ah, quer siiiim…na real, você quer uns 15 bofes, pra escolher em qual dia vai dar pra qual.

- Sei.

- Eu, por exemplo, tô com três agora. Tá tudo lindo.

- Tá tudo fudido?

- Não, tudo lindo. Tá tudo lindo. Aí vem um deles, ó.

- Tá, fica aí com essa minha dose de vodka que eu vou embora. Tudo de bom, viu?

- Eu sou uma pessoa bêbada hoje, viu? Mas eu sou uma pessoa bêbada legal.

- Entendi. Bom, é isso aí… tchau.

Comento com a amiga que apresentou:

- “Essa sua amiga, fala né? bastante.”

- Ah, ela é bem legal, né? Ela é super sincera e a gente gosta de gente sincera né?

- Aham.

Fica a dica.

04
Nov
09

que coisa chata, minina.

- Eu sei que você se acostumou com homens mais velhos, agora vai comparar sempre, mas os piás têm sua vantagem. Se bem que… Eles têm um problema. Eles broxam, principalmente na primeira vez.

- Oi? Desculpa, como?

- É. Ou eu que sou azarada mesmo.

- Co-mo assim? Me conte isso, por favor.

- Ah, meo, já me aconteceu duas vezes. Você tá lá e de repente, já era.

- Mas, como assim? O amigo cai ou se afoba e game over?

- Não, ta rolando tudo bem e de repente o amigo cai. Póf.

- Hm. Que estranho, nunca aconteceu comigo, não. Se bem que pensando bem, o FULANO broxou uma vez, mas porque tava bem louco de bala, doce, bebidas, tudo junto e misturado. Aí não há milagre realizado por cristo que levante. (levanta-te e anda…)

- Ah, vai ver eu que sou azarada. Se bem que duas amigas minhas já passaram pela mesma experiência… e eram garotos.

- Sei. Mas velho, daí você faz o quê?

- Ah, o cara ta ali, naquela situação, tentando fazer aquela cara de “estou no controle, é porque ainda estou só nas preliminares”, eu olho e falo: cara, acho que é melhor eu ir embora.

- HAHAHAAHAHAHAHAHAHA, me jure que você já disse isso?

- Na real, disse uma vez, na outra, o cara contornou a situação. Mas, sério, o cidadão não faz nada com a mão, nem com a boca, nem mexe no amigo… acabou, vou fazer o quê? faça-me o favor, né?

- Que foda, gata, que dó de você. Mas dias melhores virão…

- É. Vai ver que foi azar mesmo. Mas é que daí juntou com os casos das amigas e daí ficaram sendo quatro, né? Então, é uma estatística sobre os piás.

- É.

- Mas é bom ficar com eles, você se diverte. Tem alguns que são firmeza.

- Ah sim, desses a gente gosta. Dos firmeza.

- Aham. Literalmente.

Óssasinhora…

28
Out
09

Fim? Que fim?

O bom mesmo é quando as pessoas resolvem as coisas sem muita burocracia, né?

Uma amiga me manda isso por e-mail:

“Acabei de levar um super toco:

Oi gatita. Acho que nosso “cazito” acabou.
Vc é muito legal, mas temos planos diferentes. Por mais tentador que seja fazer um sexo sem compromisso, já passei dessa fase. Eu sigo minha vida, e vc segue a sua.
Tá bom?
Agora sim seremos “amigos”.
um beijito”

No que ela responde:

“Não me surpreendi, gatito!
Acho que minha postura esta um tanto confusa e contraditória em relação a isso mesmo!
Talvez seja uma boa parar com essa “punhetagem”. Não é exatamente essa a fase que eu quero estar…
Obrigada pela excelente cia.

bjin”

Chocada pergunto o que houve, como foi isso, enfim. A resposta:

“Ja estou aprendendo como se rebola depois disso, gata. Além de que… não me surpreendi mesmo. Só sei que ele vai me fazer falta no sabado à noite. Rs. É, eu valho uma pitanga amarga!”

E mudou de assunto.

Acho que preciso aprender a facilitar minha vida.

28
Out
09

buraco negro

Eu guardei esse texto que foi publicado na coluna do Luiz Caversan. Enfim, é isso aí.

“Você é triste e não sabia…

15/08/2009

Nada menos que 47% dos casos de depressão ainda não são diagnosticados, diz pesquisa revelada esta semana. Tem gente que é triste e não sabe. Ou melhor, sabe, mas quem não vê ou não quer ver é o médico, o clínico geral. É assim: quase metade das pessoas que estão em desconforto com a vida, sentem-se mal, desanimadas e/ou sem forças para ir à luta, com muito ou sem nenhum apetite, tanto o normal como o sexual, com insônia ou dormindo demais, e vai a um clínico geral em busca de ajuda, acaba ganhando receita de vitamina ou de aspirina, quando está mais é com vontade de tomar estricnina.

Por quê? Especula-se: os médicos generalistas não estão preparados para reparar na tristeza da pessoa, ou naquela paralisia que é anterior à tristeza e que impede a pessoa de tornar-se pessoa de verdade, interagindo com a vida em função de suas vicissitudes, e não de fantasias deletérias e incapacitantes –o sintoma de fundo da depressão. Posto que precisa atentar para tantas outras funções, as hepáticas, glandulares e hormonais, o clínico desavisado ou apressado na sua consulta de 15 minutos acaba deixando para lá outra funções muito mais complicadas, porque dizem respeito ao estado de espírito.

- Você é feliz? Imagina quanta gente iria se assustar se o médico do posto de saúde perguntasse isso na consulta ao cidadão que perdeu a vontade do emprego e da mulher, está oito quilos mais gordo e tem desânimo até para suspirar? Porque convencionou-se que essas “frescuras”, aqui incluída a tristeza se fim que chega de mansinho e se instala nas mentes transtornadas, são coisas à toa. Não, doutor, a tristeza que vem com a depressão é a do pior tipo, dá vontade de morrer mesmo, porque é aquela que não tem motivo .

Porém, e sempre há um porém, a tal pesquisa (publicada originalmente na “Lancet” e esta semana na Folha) traz um aparente paradoxo: em 20% dos casos diagnosticados, o paciente não tem depressão coisa nenhuma. Parece, mas não é, o que deixa ainda mais claro aquilo que faz com que a depressão não seja notada nos outros 47% lá de cima: ela se parece com muitas outras coisa. Parece com disfunção da tireóide, parece com a dor da perda de alguém que morreu ou de um amor que se foi, parece com disfunção hormonal que aumenta o peso, parece com anemia, parece com insônia causada por estresse, enfim.

Faz 11 anos que me interesso por esse tema, desde que comecei a ficar sem apetite, com excesso de sono, sem vontade de fazer nada que causasse prazer e sobretudo triste, muito triste. Desde então tenho visto a gradativa diminuição do preconceito (contra psiquiatras e “remédios de tarja preta”), o surgimento de antidepressivos fantásticos, a volta da auto-estima em quem luta contra esse transtorno e a vida de muita gente, inclusive a minha, melhorar. Vi até especialistas preocupados com o fato de a depressão estar “virando moda”, temor que os 20% de diagnósticos errados de certa forma comprovam. O que espanta, no entanto, é que médicos generalistas possam, de acordo com a pesquisa, se enganar em quase metade dos casos que atendem. Ok, os psiquiatras estão aí para isso, mas a coisa seria bem mais simples se, assim como o fazem doutores bacanas de horizontes amplos, os clínicos auscultassem não apenas o coração e a pressão, mas também as dores que vêm da alma, que muitas vezes revelam todos os males do corpo. Um dia, quem sabe, chegaremos lá”.

09
Out
09

se o que eu sou é também o que eu escolhi ser…

O último show dos Los Hermanos em que estive, antes de 2009, foi no Teatro Guaíra, em novembro de 2006, junto com o Mombojó, em um projeto cultural do Banco do Brasil. Tudo lindo, público fervendo, levantando e dançando nos corredores, fugindo a todos os padrões das apresentações do lugar. Alguns meses depois, em abril de 2007, eles fizeram o último show na Fundição Progresso, no Rio, antes do chamado “hiato” que a banda decidiu colocar em prática.

Quando começaram as primeiras notícias sobre o show do Radiohead no Brasil, com abertura dos hermanos, não tive a menor dúvida que estaria lá. Não importava o valor do ingresso, coisa que geralmente levo muito em consideração ao pensar no custo-benefício do “ir à São Paulo-gastar-comer-gastar-show-gastar”.

Lembro que tomei conhecimento deles (após o momento “Ana Julia”) durante meu primeiro ano de faculdade, com alguns veteranos que trabalhavam no laboratório de fotografia. Ouvi uma das meninas dizer: “nossa, você pre-ci-sa escutar esses caras. No último show, o Santana até chorou…” (Santana no caso, é um cara alto, grande, piadista e que além de irritação e humor negro, esboça pouco momentos de sentimentalismo). Fui entender isso depois, ao perceber como aquela banda arrastava um monte de jovens a cantar nos shows em catarse coletiva cada uma daquelas letras. Vendo isso, sempre gostei de pensar e achar que eles faziam sucesso por cumprirem aquilo que eu considero muito importante em uma banda: o diálogo. Ela tem que fazer sentido para pelo menos um grupo de pessoas, e nesse caso, eu acredito que fazia pra toda uma geração que não anda sabendo muito bem como lidar com o “sentir”. Tudo isso bem recheado de uma sensibilidade um tanto quanto bem pontuada.

No dia do “Just a Fest” era 18h30 eu e mais algumas pessoas tão fãs quanto eu, estavam dentro de um carro parado em um engarrafamento, procurando vagas a muitos metros de distância do lugar. Desesperados, paramos em uma vaga meio louca e saímos correndo pelas muitas quadras que faltavam pra chegar no lugar, atravessando ruas loucamente, procurando o portão de entrada, dividindo o grupo por causa dos ingressos (“a gente se encontra lá dentro”), empurra-empurra, o show já rolando, a gente ouvindo lá de fora, se moendo em ansiedade e cantando junto, até finalmente chegar no meio do público e se enfiar pra ficar o mais perto possível. A coisa era tanta que eu nem sabia direito o que fazer com as minhas mãos, com a capa de chuva que eu tinha comprado e não tava chovendo, se cantava ou apenas olhava o grupo lá longe…

O show não acabou sendo tãaaao emocionante como todo mundo esperava, mas deu pra cantar junto, em meio à catarse, só pra matar aquele gostinho de saudades doída. Mas a sensação foi que todo mundo teve ali, a certeza que aquela fase tinha acabado. As músicas que teríamos deles eram aquelas, tudo que nos ajudou a entender melhor sobre nossos sentimentos estava ali, a emoção de ver um show deles estava acontecendo pela última vez e assim, seguiríamos a diante, ao menos com a certeza de que ainda tínhamos (e sempre tivemos) Radiohead pra fazer a nossa IMENSA alegria. (sem palavras pra esse show…)

E por que eu to falando disso agora? O show foi em março, eu até esbocei um texto sobre ele, mas nem quis publicar. Mas é que depois de muito tempo, coloquei Los Hermanos hoje de manhã pra trabalhar e lembrei de muita coisa, do tanto de coisas que eles me fazem lembrar. O fim louco de adolescência, dias de sol na praia perfeitos pra andar de bicicleta escutando os caras e pensar em muita coisa, o bloco de carnaval em Santa Teresa, no Rio, as diversas vezes de compartilhar momentos bons e ruins com os amigos ou simplesmente cantar bem alto dirigindo… e lembrar de tudo isso e pensar com felicidade sobre o meu passado, tanto sobre as coisas boas e ruins, sabendo hoje o motivo e as vantagens de cada uma delas, é reconfortante. Perceber, principalmente, que não estou passando correndo pela minha juventude e pela minha vida por causa de frustrações. Acredito que não corro o menor perigo de me tornar uma adulta chata, velha, amarga que não suporta o peso do passado, de seus erros e do que não deu certo. Obrigada Los Hermanos pela lembrança, he.

Estava mesmo precisando lembrar como eu cheguei onde estou agora e das coisas que me tornaram o que sou. Como a Paula Ponta diz que é a minha cara dizer: eu sou a melhor coisa que poderia ter me acontecido. Daqui eu posso ir pra onde eu quiser, tenho tudo para isso.

PS: Esse texto é para minha prima que está lá longe agora, mas ao ler esse texto vai entender tudo sobre ele e saberá o que ela pode esperar quando me receber em 2010 lá na Itália. Vamos poder realizar todas as coisas lindas que nos propomos a fazer e conhecer juntas, escutado Los Hermanos e andando de bicicleta. =)

26
Set
09

enquanto isso no bar…

Nesse mesmo dia do porrete, horas antes da tragédia, estava eu, sozinha, esperando minhas amigas saírem do banheiro, encostada em um pilar da pista de dança. Balada bombando, a aglomeração me obrigando a ficar virada pra coluna, sozinha, com cara de perdida, enfim. Eis que chega um mocinho super salve simpatia e me cutuca:

- Oi. desculpa, não queria atrapalhar essa conversa com a parede, mas eu queria saber seu nome.

Ainda penso por uns segundos se eu seria grossa após essa tirada ou se aproveitaria o momento para ter do que rir depois com as amigas. Escolhi a segunda opção porque né, tava fazendo nada mesmo. Sempre com um sorrisinho sarcástico, respondo:

- Izabella

-Hn. E quantos anos você tem, Izabella?

- 25

Solta um muito espontâneo “NOSSA”. Já rindo do menino, pergunto então, qual era a idade dele, desconfiando ser bem abaixo da minha pra tamanha surpresa e por um certo nervosismo bem notável.

- Adivinhe. Quantos anos você acha que eu tenho?

- Se eu chutar muito baixo você vai ficar ofendido?

- Não.

- 19

-Ah, quase. Tenho 20.

Fico esperando pelas próximas palavras, avaliando qual era a próxima investida que ele achava que daria certo pra me conquistar.

- E aí, curtindo a balada sozinha?

- Não, minhas amigas estão no banheiro, essa outra logo ali, ta brigando com o namorado…

- Ah…você ta meio deslocada né? Você não curte muito esse tipo de música?

Tá me tirando, brother? Cansei do mocinho e já arranjei uma resposta pra mandar ele embora.

- Não, to me acostumando de novo com isso tudo. Tem muita pirralhada e eu namoro faz tempo, então…

(Com o rosto murchando…) – Ah…e onde que tá esse namorado que te deixa sair sozinha? (WHAT? NOT!)

- Em Porto Alegre.

- Ah, então, mas já que ele te deixou sozinha, você não quer aproveitar e ter a minha companhia? Né, porque namorado que abandona assim a namorada…

- Não, vou ali, procurar minha turma, tá?

Enquanto virava as costas ainda pude ouvir um grupo de amigas gritando:

-   AAAAAAh, fica com ele, olha que bonitinho que ele éeeeeeee.

Viu? Quem mandou dar confiança

25
Set
09

sobre a lei de murphy

Uma garota sai pra balada no sábado em uma noitada só de meninas, já que o namorado está viajando. Tudo muito animado à base de Bacardi de mação verde all night long…São seis da manhã, olha ao redor, as amigas já foram embora, o pessoal da pista se divide em os que não tem quarto para transar e os que já estão entregues na mão do capeta, só loqueando e girando na pista quase vazia. Irresponsável que só, ainda meio bêbada, pega o carro e vai pra casa. São seis da manhã.

As nove, como o combinado, o namorado liga falando que dentro de uma hora estará no aeroporto à sua espera. Ainda bêbada e tonta de sono (foram apenas três horas) levanta e como saiu da cama pega a chave e vai pro carro. Já no portão do condomínio percebe que está descabelada, o sol enchendo seu olho de luz e seu gosto na boca é muito parecido com o gosto que guarda-chuvas molhados de pinga devem ter. Volta. Arruma o cabelo, escova os dentes, pega o óculos para enfrentar a luz do dia e segue em frente, de pijama. De sua casa até o aeroporto, em um sábado de manhã o tempo médio é de trinta minutos. Esse foram os piores trinta minutos de toda sua vida. Durante o caminho se perguntava entre um enjôo e outro porque tinha feito aquilo com si mesma, o quanto tinha ganhado de calorias com o tanto de destilado que tinha tomado, prometia que nunca mais ia beber e rezava só pedindo para aquela dor de cabeça passar. Pois bem, assim que estaciona, recebe o pior dos avisos: uma pontada na barriga. E dali pra frente, foram os mais sofridos vinte minutos da vida porque…estava de pijama. Ligava desesperadamente no celular do namorado, que dava caixa postal, já que ela tinha se adiantado dez minutos.

- É muito azar. Estou sempre, sempre, sempre atrasada. Mas hoje não, estou aqui, dez minutos adiantada.

Percebe que o movimento de pessoas no estacionamento começa a aumentar, na mesma proporção em que sua dor de barriga fica desesperadora. Parou de fazer rezas genéricas e começa a fazer promessas, rezar todas as ave-marias que sabe, pedindo pelo amor, que aquele calafrio, a mão gelada, e aquelas pontadas parassem de gritar na sua barriga. Como a ajuda divina não veio, começa a fazer cálculos.

- O banheiro do saguão, onde fica? Será que alguém vai perceber que isso aqui é uma calça de pijama? Não, ninguém vai notar que estou de meias listradas, alpargatas brancas e pijama amarelinho. Ah, ninguém me conhece, nunca mais vou ver essas pessoas na vida. Acho que vou. Não vai me ajudar, Deus?

No meio a esses delírios, o namorado liga! Está só esperando pra pegar sua mala. Ela de-ses-pe-ra-da-men-te pede ao namorado que corra, porque ela pode morrer, ali mesmo, de dor de barriga. Ele tenta conversar com a namorada durante o trajeto, mas ela já perdeu os sentidos e não consegue mais falar.

Já sentadinha no trono, ela promete: “Bacardi de maçã verde, nunca mais” e lembra da cena de sua mãe perguntando antes dela sair pro aeroporto: “vai de pijama? Pode acontecer alguma coisa no caminho…”

(Essa história foi baseada em fatos reais)

15
Set
09

da série gtalk

Izabella: bom dia

Ciclano: bom dia!! acabo de tomar um caldinho de feijão com tomate em cubinhos e pimenta dedo de moça, mas bom dia. hehehe

Izabella: vc sempre me deixa com vontade de tomar caldinho de feijão

Ciclano: hum, é tão bom, queria mais, mas se eu comer mais, nao vai sobrar pro almoço

Izabella: eu gosto de feijoada e caldinho de feijão. mas não gosto de feijão. dá gases

Ciclano: sim, proporciona gases. inevitável. mas eu adoro, principalmente com tomate e pimenta

Izabella: o que dá mais gases ainda

Ciclano: tomate dá gases? achava q tomate fosse bom prá combater radicais livres

Izabella: não sei, não como tomate. mas pimenta com feijão? que dupla explosiva

Ciclano: já q eu sou fumante tenho q comer 9 tomates por dia. mas pimenta dá gases??? gente, q novidade. é q eu sou fumante e homem, homens precisam comer coisas vermelhas para evitar problemas na próstata. lembra aquele dia q eu nao sabia se queria cagar ou se tava com a próstata dolorida? então.

10
Set
09

não, não compro uma bicicleta.

Esses dias estava conversando por e-mail com uma amiga e falávamos, em um contexto, claro, sobre como as mulheres que mais querem se provar e dizer descoladas, são as que mais prezam pelo bom e velho casamento. Todas essas que sempre viveram baseadas no discursinho de ” ah, não me vejo casada, não quero ter filhos, relacionamento são para os fracos”… tá, aham, sei. Acho que essas mesmas que, parafraseando essa mesma amiga, “são as que na verdade acreditam piamente na instituição do casamento e somente ele é a prova final da sociedade”. Não demora muito você pode ter provas concretas de que é isso mesmo.

Esses tempos o , tava me contando que quando sua agora esposa, arranjou um trampo em São Paulo e logo após ele também foi pra lá, deu uma aliança pra ela. Perguntei o porquê e ele me responde:

- “Ah, porque as mulheres gostam e se importam com essas coisas”.

- Mas como você sabe disso, Fê?

- Ah, eu sei e todas as amigas dela ficaram com inveja.

Passa o tempo e é possível ter notícias ou ver aquelas mulheres sempre tão auto-suficientes em relacionamento superficiais e malucos, ficarem cla-ra-men-te saltitantes porque finalmente encontraram uma metade da laranja pra dividir a vida. E aí minha gente, é chamar pra cerimônias e comemorações de todo tipo, porque isso pre-ci-sa ser exposto, é ou não é?

Enfim, voltando. Pensando nessas últimas conversas que tive nesses últimos tempos, na quantidade de amigas que estão casando ou são casadas, nas notícias de outros relacionamentos que estão partindo pra esse passo e principalmente, olhando de fora algumas mocinhas já casadas ou para aquelas que estão ali, à espera do pedido, da agilidade e vontade do moço, eu conclui que toda mulher quer mesmo é encontrar um par e dali construir um lar. E o medo de querer isso surge justamente daí. Construir um lar remete logo à imagem de dona-de-casa, coisa que as mocinhas descoladas não querem, pois o que importa hoje em dia é carreira de trabalho. Estragar o corpinho (nem sempre) bem cuidado com uma gravidez? Quem quer?

Sabe, é por isso que eu, que tive uma educação bem “feminista”, digamos assim, completamente voltada para o meu desenvolvimento profissional, digo desde sempre que quero casar, ter uns 3 filhos, casa, não apartamento, bem grande, com jardim e quintal, tudo bem estilo margarina, felizes para sempre. Porque se tem uma coisa que aprendi é que o importante é ser sincero consigo mesmo, porque depois, a língua é o chicote da boca e as palavras quando vão, soltas no ar, fazem um estrago terrível quando voltam cobrando. Acredito sim, que a nossa geração e as próximas precisam mudar as formas de se relacionar, já que estamos carregando hoje a carga de uma geração que não soube lidar com o amor-livre. Mas ficar brincando de esconde-esconde não resolve problema nenhum e ficar soltando convicções fáceis por aí, é fácil, fácil. E tenho dito!