Mayara, 20 anos
“Tinha um vizinho meu, de uns 8 anos, bem estranhinho. Vivia no mundo dele, sempre sozinho, olhando pro chão e brincando sozinho. Um dia resolvi ir lá, trocar uma idéia.
Mayara – oi.
Léo – oi.
Mayara – Por que você ta aí, sozinho?
Léo – Mas eu não to sozinho.
Mayara – Hmmmm. Não? E com quem você tá, então? (o parquinho vazio)
Léo – (em tom de deboche) Com os meus amigos.
Mayara – Hmmm. E onde eles estão?
Léo – (aumenta o tom de deboche) Eles são imaginários, né? (der)
Mayara – Aaaaaah. E quais os nomes deles?
Léo – Bom, são três né? Mas só dois deles estão aqui, o outro ta lá em casa. Mas um deles é o Reginaldo, o outro o Confeti e tem também o Bacon. Mas o Reginaldo ta lá em casa vendo TV.
Mayara conclui que realmente, ela tinha sido boba. Eram apenas 3 balanços, como podiam estar os 4 reunidos ali? Der.
Agora eu penso. Tudo bem a criança ter amigo imaginário. Tudo bem os amigos se chamarem Confeti e Bacon, é plausível. Agora de onde ele foi de Bacon pro Reginaldo? Carlos, Marcelo, Pedro, não? Não, Reginaldo.
Cena 2
Bernardo, 2 anos, que qualifica as pessoas com o polegar pra baixo ou pra cima, olha pra mãe pelada e consciente do próprio pipi pergunta:
“Cadê o pinto da mãe?”
Cena 3
Sayonara, que faz transporte escolar, resolve levar 25 crianças ao cinema ver um filminho 3D. No meio do filme, chega uma das criaturinhas e diz pra ela:
“Tia Sayo, eu não quero mais ver com esse óclinhos”
- Mas por queeeeeê?
- Ah tia, eu tô vendo até o cuspe do monstro.
Esses mini gentes…como diz a própria Mayara, crianças ainda não são bem formadinhas né? São bichinhos aprendendo a ser gente, pecadinho. A própria Mayara quando era pequena resolveu pegar sua mochila da Minnie, colocou duas calcinhas e uma Trakinas e foi embora de casa. Deu uma volta na quadra e voltou pra casa, porque não tinha todo o necessário, né?
