02
Jul
09

Cosminho e Damião.

Mayara, 20 anos

“Tinha um vizinho meu, de uns 8 anos, bem estranhinho. Vivia no mundo dele, sempre sozinho, olhando pro chão e brincando sozinho. Um dia resolvi ir lá, trocar uma idéia.

Mayara – oi.

Léo – oi.

Mayara – Por que você ta aí, sozinho?

Léo – Mas eu não to sozinho.

Mayara – Hmmmm. Não? E com quem você tá, então? (o parquinho vazio)

Léo – (em tom de deboche) Com os meus amigos.

Mayara – Hmmm. E onde eles estão?

Léo – (aumenta o tom de deboche) Eles são imaginários, né? (der)

Mayara – Aaaaaah. E quais os nomes deles?

Léo – Bom, são três né? Mas só dois deles estão aqui, o outro ta lá em casa. Mas um deles é o Reginaldo, o outro o Confeti e tem também o Bacon. Mas o Reginaldo ta lá em casa vendo TV.

Mayara conclui que realmente, ela tinha sido boba. Eram apenas 3 balanços, como podiam estar os 4 reunidos ali? Der.

Agora eu penso. Tudo bem a criança ter amigo imaginário. Tudo bem os amigos se chamarem Confeti e Bacon, é plausível. Agora de onde ele foi de Bacon pro Reginaldo? Carlos, Marcelo, Pedro, não? Não, Reginaldo.

Cena 2

Bernardo, 2 anos, que qualifica as pessoas com o polegar pra baixo ou pra cima, olha pra mãe pelada e consciente do próprio pipi pergunta:

“Cadê o pinto da mãe?”

Cena 3

Sayonara, que faz transporte escolar, resolve levar 25 crianças ao cinema ver um filminho 3D. No meio do filme, chega uma das criaturinhas e diz pra ela:

“Tia Sayo, eu não quero mais ver com esse óclinhos”

- Mas por queeeeeê?

- Ah tia, eu tô vendo até o cuspe do monstro.

Esses mini gentes…como diz a própria Mayara, crianças ainda não são bem formadinhas né? São bichinhos aprendendo a ser gente, pecadinho. A própria Mayara quando era pequena resolveu pegar sua mochila da Minnie, colocou duas calcinhas e uma Trakinas e foi embora de casa. Deu uma volta na quadra e voltou pra casa, porque não tinha todo o necessário, né?

30
Jun
09

tenha dó.

Me lembro que desde novinha, quando comecei a tomar consciência dos relacionamento inter-pessoais, eu sempre selecionei as pessoas, dividindo-as em grupos, categorias, determinando a partir disso qual deveria ser meu relacionamento com tais.

Hoje pensando, criei uma categoria chamada de “pessoas vômito”, para determinar as pessoas chatas. Mas não só chatas, daquelas que fazem as mesmas perguntas todos os dias ou que não se tocam que você realmente não a quer do seu lado. Existe uma categoria de pessoas chatas em que a chatisse é mais profunda. Vamos aos tópicos para defini-las.

- reclamam e só. apenas reclamam, sem nunca olhar para ver que está tudo certo por ali e que os contra-tempos ou desejos (ainda) não realizados fazem parte do caminho.

- dão recados. não dizem nada, fingem que são confortáveis em um silêncio hipócita e aí, por covardia, apenas mandam recados.

- se vitimizam. se fosse pra ilustrar seria sangue pra todo lado, pois a pessoa é a própria vítima. nunca olha pra merda que espalhou (de propósito diga-se de passagem) e quais as consequências disso.

- remoem. meu deus, como remoem. são mal resolvidas 100% (porque todo mundo tem um pouco de mal resolvido mesmo, não adianta ficar de discursinho).

- sugam. não dividem, não doam nada em relacionamento inter-pessoais. apenas sugam, vampirizam as pessoas, querendo apenas o melhor dos outros.

- dramatizam. ai, fazem um drama pra tudo e soltam frases do tipo: “o que eu tenho de errado”. bah.

Uf, vocês me dão enjôo.

Aqui tem um trecho de um texto que eu li hoje que fala de uma atitude bem comum desses chatos.

“o rosto fechado e sombrio é quase sempre sinônimo de pessoas tomadas pelo síndrome da vítima, a compulsão de pôr a culpa de tudo nos outros, a evasão total e descarada de responsabilidade. É aquela história: o mundo me persegue. Ninguém me compreende. Deus criou tudo apenas para que eu fosse sacaneado. Para estas pessoas, Sartre criou a frase definitiva: o inferno são os outros”. – Fabio Hernandez

êeeee, adoro esse cara.

29
Jun
09

O movimento não é sexy

Gosto muito da sensação de não estar mais em um turbilhão social, onde as coisas acontecem com uma velocidade inacreditável, tanto os fatos como o falatório consequente. Mas sempre existem pessoas entrando e saíndo desse turbilhão, cheias de histórias pra contar: novidades, fofocas, conclusões, julgamentos, mentiras…pf. Que sufoco.Mas o melhor de tudo é sentar e ver tudo isso de bem longe e voltar pra casa tranquila, agradecendo por estar em local seguro.

Mas algumas dessas notícias sempre me fazem pensar que as pessoas mudam sim, algumas vezes pra melhor, outras para pior. Tem gente que aprende com erros do passado. Outras vivem remoendo situações até hoje, cheios de rancor e vitimização. Tem também gente que continua igualzinho, com as mesmas atitudes, causações e comportamento, só trocando o figurino hype do momento, como sempre. E tem também aquelas que acabaram de entrar no furacão e caem direto no olho dele, mal sabendo na confusão em que está prestes a adentrar.

Mas se tem uma coisa que não muda é a noite. Ela sempre oferece as mesmas oportunidades e as mesmas situações. O que muda são apenas os personagens, que constantemente acham que fazem parte de uma grande coisa, sem se deixar perceber que estão à procura dessa tranquilidade, de local seguro e silêncio.

É muito simples. Todo mundo passa a semana à espera dos acontecimentos do final de semana, para depois que ele acabar, passar a próxima semana falando sobre e esperando pelos acontecimentos do próximo.

Esse é o movimento, em que nada flui e transforma, apenas circula, voltando ao ponto de partida.

24
Jun
09

Yes, we can!!!

Hoje recebi um release com o seguinte assunto: “Eu posso ser feliz do meu jeito”.

Abri o mail, li o tal release e aí me coloquei a pensar que essa frase realmente faz sentido.

Imersos em milhares de livros de auto-ajuda recebemos fórmulas fantásticas de como devemos fazer para sermos mais felizes, conquistarmos tudo aquilo que queremos, atitudes a tomar frente aos problemas…e então há algum tempo já nem sabemos mais qual é o jeito certo de sermos felizes, até porque né pessoal, esse jeito nem existe.

São mais ou menos 6 bilhões de pessoas nesse mundão de Deus. Todas elas diferentíssimas entre si. Como é que faz para todas essas conseguirem a partir de uma mesma forma milagrosa a sua felicidade? É a mesma fórmula tanto para o pessoal que quer fazer pesquisa na Antártida quanto para as freiras dentro dos conventos? Oh Jesus.

Realmente, eu posso ser feliz do meu jeito, porque esse jeito só eu mesma que sei. E se conselho fosse bom né gente? Dava pra vender. Então, vamos lá, coragem. Cada um cuidando da sua felicidade. Sem padrões, sem recortes fantásticos, sem propaganda de margarina.

E viva a diferença. Yes, we can.

24
Jun
09

De baião de dois.

ela:

- di onde que ocê tirou essa idéia homi?

ele:

- me veio, muié.

ela:

- tem muito é pinga nessa tua cabeça. num dá, num dá de jeito manera.

ele:

- tá dicidido, tá feito, num tem conversa.

ela:

- hmmmm, e desde quando foi que ocê resolveu virar home fio?

ele:

- desde quando ocê deixou di tá aqui, guardada no peito.

ela:

- oxê, que isso faz muito é tempo…não invente desculpa home. num tem jeito, num vai ser pussível.

ele:

- já disse: tá feito, tá dicidido. cum esse espaço livre dentrui de meu peito, vou é atrás de deus do céu, de mãe maria, de amor de dor e dispidida da tristeza.já era. adeus.

23
Jun
09

Todo carnaval tem seu fim

O que é para sempre?

Nada, nem mesmo o amor dos pais. Eles morrem geralmente antes de você e quando vão embora, o amor acaba. Por mais que eu acredite em reencarnação, na prática, é isso. A gente continua vivendo uma vida material e o amor, apesar de ser imaterial, impossível de ser medido e somente sentido, vai embora junto com a presença, com o cotidiano, com a companhia.

O amor dos amigos também acaba. Tudo aquilo que pulsava por tantos anos, por tantas situações, um dia mingua, perde o sentido e morre.

Os relacionamentos. Ah esses estão aí todos os dias acabando aos montes,  mostrando pra gente que tudo tem um fim, por mais que seja daqui 60 anos.

Tudo tem um fim. E que medo desses fins. Os meus demoram tanto para serem digeridos que talvez eu sofra mais com essa preparação e prorrogação do que com o fim propriamente dito. Isso tudo porque o fim liberta, deixa o ar renovado, dá espaço e propõe caminhos ainda não descobertos e puta…que medo de tudo isso aí.

Porra, que tanto pra entender. Principalmente que os fins levam a gente pra bem perto de tudo que a gente mais quer: a intensidade, a alegria e o prazer do prometido pra sempre.

20
May
09

...

09
Apr
09

Os quatro abraços diários

Há dois anos atrás, eu trabalhava com a minha tia. Um dia eu li um artigo sobre um estudo que comprovava científicamente que nosso corpo PRECISA de pelo menos 4 abraços diários. Aí eu e ela acordamos que todos os dias daríamos 4 abraços uma na outra.

O tempo passou, eu saí da empresa e fui viver minha vida. Até hoje eu e ela lembramos do acordo e como não nos vemos mais todos os dias, quando nos falamos mandamos os 4 abraços, mesmo que de longe.

Ontem, lembrei de tudo isso e sugeri para as meninas aqui da revista que fizéssemos o mesmo. Algumas concordaram, outra não. Das que não aceitaram, umas disseram que não sabem se tem coragem de dar o abraço e outras acharam isso uma grande besteira.

E eu fiquei pensando…uma coisa tão simples como um abraço, é tão dificil. Era mais fácil eu dar quatro abraços diários na minha tia do que um único na minha mãe. E mesmo ontem, quando encontrei meu namorado tive vontade de dar um abraço e simplesmente…fiquei com vergonha de dizer. Contei isso pra ele depois e ele riu, achando, claro, uma grande besteira. Desde então, os abraços que já eram bem comuns, agora são uma questão de compreensão entre nós.

Lembrei da campanha do “Free Hugs” e como ela durante um tempo foi febre e hoje virou coisa de loser. Mas quando proponho esse esquema dos quatro abraços diários para as pessoas, eu realmente penso que isso pode mudar alguma coisa. Todos nós precisamos de carinho, amor, apoio e hoje está muito dificil ter tudo isso. Estamos cada vez mais distantes, frios e na defensiva. Alguém aí viu “Crash”?

Eu achei esse artigo, apesar de não ser o mesmo que eu li há algum tempo atrás. Para quem quiser ler: http://www.andreiamoreno.com.br/Artigos/Jul_2004.html

Um abraço.

Para deixar minha tia e madrinha mais feliz do que está hoje, proponho essa música que sempre vai me lembrar a nossa época juntas.

See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the bedouin fires at night
See the oil fields at first light and,
See the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colours came out

It was a beautiful day
Don’t let it get away
Beautiful day

Touch me, take me to that other place
Reach me, I know I’m not a hopeless case

What you don’t have you don’t need it now
What you don’t know you can feel it somehow
What you don’t have you don’t need it now
You don’t need it now

Was a Beautiful day…

Beautiful day – U2

02
Apr
09

Cenas proibidas para menores

Cena 2

No gtalk me deixaram um recado:

“O que você faz se seu pai acha um baseado no carro dele, na manhã seguinte após você ter usado o carro? Sendo que no mesmo dia sai na Gazeta do Povo uma matéria sobre skinheads espancarem um estudante homosexual. E isso tudo acontecer duas semanas após você ter recebido uma garrafada de vidro, no mesmo carro, de torcedores do COXA…

O que você faz:

a) bebe muita água, pois seu pai quer fazer exame de urina

b) tenta convencê-lo amigavelmente de que o baseado era da sua amiga

c) você admite ser um jornalista fracassado e desempregado, além de gay e maconheiro

d) entra no gtalk para pedir ajuda da Izabella

e) foge de casa

Corta – Cena 3

No gtalk.

“Eu tive um problema nos últimos três dias, Iza. Eu não sei se você já ouviu falar…chama-se PRIAPISMO. Eu ainda tô assim na verdade. É ereção por no mínimo 4 horas. Nunca tive isso, é super bizarro…parece que tem um imã puxando a glande pra cima o tempo todo. Não preciso dizer que de tão constrangido nem saí de casa nos últimos dias”.

Eu digo: Meu deus. E você foi ao médico?

Resposta: “Não…não cheguei a ir ao médico, apenas elevei meus pensamentos…”

Corta – Cena 4

Conversinha de mulher…

Aquela minha amiga está lá, saíndo com um rapaz mais novo né? Aí tava achando estranho o fato de que ele estava sempre tendo problemas de ereção. Até que finalmente esses dias ela descobriu…(altera o tom de voz indignada) NÃO ERA PROBLEMA NENHUM, ERA PINTO PEQUENO MESMO!!!!

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Pelos próximos dias, estarei away no gtalk. Jesus me abane.

01
Apr
09

recepção.

Salas de recepção são sempre um caso a parte.

No médico, a gente fica procurando pela revista de fofoca mais recente, quando não encontra, pega aquela que tem artigos muito interessantes sobre o novo tratamento por video, que pode ser feito no braço… (???)

Mas e a sala de espera da terapia? Aquela em que você sabe que todo mundo que tá ali, tá tratando da cabeça? Tá, não sou o tipo de pessoa que acha que terapia é coisa de gente louca…até porque eu sou adepta há anos e adoro, venero e recomendo pra todo mundo. Mas é que você sabe que as pessoas procuram a terapia a partir de um problema pra resolver…algo que tá martelando, incomodando…e aí você fica analisando aquela pessoa que tá dividindo aquele espaço com você e pensando…o que a levou a estar ali.

Hoje, a psicóloga que me atende esqueceu que era o nosso dia de atendimento, devido a mudanças minhas de horário…aí fiquei lá, esperando meia hora por ela. Depois dos primeiros dez minutos, desce, com um dos terapeutas da clínica, um garoto de uns 15 anos. Senta no sofázinho do meu lado, sem nem olhar pra mim, fica bufando do meu lado por uns minutos até que pega o minigame e permanece ali mesmo, sem nem pensar em tirar os olhos do jogo barulhento.

Ok, continuo jogada na minha poltrona, olhando pro nada e pensando na vida. Eis que entra um rapaz. Todo suado, a roupa me parecia meio encardida, o tênis era destruído, usava uns anéis e uma corrente que parecia uma guia e que se fosse, era de exu. Mas devia mesmo ser do Atlético.

Entrou, não disse nada, olhou bem pra mim e pro menino, sentou. Pegou uma pedrinha branca do vaso e ficou apertando ela sem parar, tipo procurando o que fazer. De repente começou a dançar com a cabeça, de acordo com a música que tocava ao fundo e que no caso eu só reparei que tocava quando, com o canto do olho, eu consegui perceber o movimento que ele fazia. Ali, eu queria começar a rir. Faltou alguém pra trocar olhar comigo.

Quando ele falou: que calor aqui né? Tipo puxando aquele assunto, que quase ninguém puxa, minha terapeuta abriu a porta e soltou o semanal: Oi Izabella. Vamos? (Péin, salva pelo gongo!)

E ali, eu deixei o figura, com seu assuntinho mais ou menos e subi pra falar sobre os meus sentimentos da semana.

E assim vamos…o que acontece na sala de espera, fica na sala de espera. Assim como o que acontece no elevador, fica no elevador. E nesse caso, cada louco com a sua mania.