Arquivo para Setembro, 2007

17
Set
07

Não tem que parecer bom, tem que ser bom.

Música e cinema são as duas expressões artísticas que mais tocam fundo em minha inspiração. Os dois são capazes de dar vazão a sentimentos, orientá-los ou simplesmente questioná-los. Existe outra pessoa no mundo que sente, sentiu ou somente é capaz de compreender exatamente aquilo que tem dentro de você e conseguiu colocar em palavras, ritmos e imagens, expondo ao mundo o que de mais íntimo existe.

Desde menina, quando meu pai escutava Cartola em vinil, eu já me deixava envolver pela poesia do músico e agora, com um pouco mais de maturidade, sinto-me mais apaixonada pelo samba de origem feito por ele. Mas era um sentimento desses descrito acima, íntimo, meio sem explicação. Uma emoção que vinha e passava logo quando escutava algum dos meus “rockinhos”. Mas de repente, vem algo que consegue despertar em mim mesma essa explicação. Se é que sentimento tem algum tipo de explicação.

O documentário biográfico “Cartola, música para ouvir e olhar” foi o responsável por esse turbilhão de emoções em plena quinta-feira à noite. Esse título passou despercebido quando loquei o filme, meio na pressa e só ao terminar de assistir pude concordar plenamente. Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, roteiristas e diretores do filme utilizaram do documentário testemunhal para mostrar os feitos do compositor. Mas, felizmente, eles não se prenderam a essas regras rígidas que definem e dividem em categorias os trabalhos cinematográficos.

Muitos que assistirem ao filme, podem pensar que sobre Cartola. Mas, se você for mais além, vai perceber que se trata de um trabalho completo e pontualmente sensível sobre a história do samba de raiz e sobre o nosso país. Uma pesquisa impecável que utiliza ainda de intertextualidade para situar o expectador e transformar uma simples biografia em um belo modo de contar história.

Textos, imagens e principalmente música são utilizados para que as rupturas dessa narrativa não fiquem expostas, por isso usa-se uma linguagem mais eleborada e sutil. O acervo de fotos e relatos são misturados com outros grandes nomes da cultura popular brasileira, identificando a época da narrativa e buscando um diálogo constante com o espectador, sem que o mesmo nem sempre se dê conta.

E ao final, extasiada, pude sentir o porquê dessa admiração toda. O filme conseguiu atingir o ponto em que ficam memórias de minha infância, lembranças de sambas feitos na casa da família de meu avô e mesmo de coisas que eu não passei, mas que me identificam, porque falam do país onde eu nasci e vivo. De músicas simples, de gente simples que fala de um cotidiano que eu não vivo, mas desde sempre sei da existência, porque são parte da minha cultura.

Uma ótima aula principalmente para a juventude alienada que vive hoje a fase “emo” americanizada que mal sabem o que passa ou se passou em seu próprio país.

06
Set
07

Os que recorrem no erro.

Meu primeiro texto é sobre um tipo de ser humano recorrente em todos os setores de nossa sociedade, o filho da puta. Sim, gostaria de escrever meu primeiro texto sobre esse tipo de personalidade ou poderia dizer também desvio de caráter, o filho da puta.

Para que uma simples pessoa se encaixe a esse nada seleto grupo não existem regras bem definidas pois são vários os fatores que levam um ser humano a ser o chamado filho da puta. Infelizmente existem milhares deles por aí e são dos mais variados tipos, tamanhos, cores e ainda temos também o filha da puta que vem com a opção disfarce, para o desepero de todos.  

Alguns têm um exemplar muito característico de filho da puta em seu grupo do trabalho. Geralmente eles se apresentam como incompetentes tentando o tempo todo provar o contrário usando, culpando e abusando de você e de seu trabalho. Outro tipo muito recorrente aparece ao final de relacionamentos. Eles podem vir na forma masculina e feminina, não é exclusividade de nenhum sexo e nem mesmo os gays escapam dessa. O trânsito, ah sim, no trânsito estamos cercados por eles. E como demonstrado em uma propaganda, às vezes eles aparecem nos formatos “anta, perua e rato”, quando não em muitos outros mais.

Em nosso país tão cheio de rupturas e divisões de classes fique sabendo que nenhuma delas escapa de ser atingida pelo indivíduo relatado. Na classe A temos uma infinidade de exemplos. São os garotos que matam o índio, o mendigo. Os proprietários de luxuosos apartamentos em Copacabana que jogam todos tipo de objeto em prostitutas que circulam pelo calçadão. E claro, não poderíamos esquecer da parcela que mais nos atinge, os políticos. Lá do alto escalão eles agem na corrupção, corrompem e ainda agem no esquema matam o gato e mostram o pau, rindo da nossa cara, óbvio. Nessa mesma linha seguem os latifundiários que não colaboram com a reforma agrária e atiram à queima roupa nos manifestantes. Os madereireiros que torram nossa fonte de vida sem nem pensar sobre o assunto.

Ah sim, por falar em falta de raciocínio não poderia deixar de citar os filhos da puta que são da classe “ignorantes”. São eles; furam a fila do ônibus logo de manhã cedo. Furam a fila do cinema, do teatro, onde quer que estejam eles querem mesmo é tirar vantagem. Muitas vezes eu creio que deve ser por ter mais pressa que a maioria, devido a compromissos mais urgentes que a de todo mundo.

Ufa. Sinto que foram poucos os citados aqui e que se fossemos fundo encontraríamos muito mais desses exemplares de gente facilmente. Afinal, quem não tem pelo menos cinco desses em sua vida pra citar? Por cima…O pior é que percebo uma movimentação para formação de grupos dos chamados filhos da puta, deixando-os mais fortes e nós…cercados e embriagados todo o tempo por toda essa filha-da-putisse.

Às vezes passa pela minha cabeça que assassinato de filhos da puta não deveria ser considerado crime, no mínimo legítima defesa.