“Mulheres, mulheres…se não entendo, só posso amá-las…” (parafraseando o profeta com dons de ser ator de novela mexicana.)
Vivem suspirando, procurando por um namorado. O que elas desejam? Um homem lindo, atencioso, carinhoso, educado, bem sucedido, inteligente, bom de cama e disponível para relacionamento sério, seríssimo.
Choram com cafajestagens, mentiras, desprezos e as outras atitudes derivadas do caráter dos homens. Mas não conseguem mesmo é se desligar desse tipo. O cara é todo errado, está levando “sussi” há 7 meses a relação, porque ainda precisa ter certeza do envolvimento. Ou pior…aquele que nunca deixa claro o que sente, o que rola, aparece de vez em quando e atordoa os útlimos nervos que sobraram pra garota.
Uma linda garota, esperta, esforçada, bem sucedida, inteligente e cheia de valores de caráter. O que a prenderia nesse típico adolescente eterno? Tudo. Mulheres são volúveis. Todas, sem exceção. Sabem o que querem durante determinado tempo, logo após se perdem em suas próprias certezas e verdades e procuram pelo nada que acreditam ser o tudo. Logo, se transtornam quando encontram uma meia verdade. Meia verdade essa que preenche aquele meio vazio que ficou ali após as meias incertezas, sacam?
O eterno vai e vem, as inconstancias, Deus, o sabor de tudo isso é indiscretível.
Dias desses fui tomar café com algumas de minhas melhores amigas. Fizemos os cálculos e todas tinham um espécie desse em sua vida. 90% admitiu que se o malandro chegasse e pedisse pra voltar, elas nem pensavam, paravam o que estavam fazendo e iam viver aquela montanha russa toda de volta. E admitiram isso sem a menor vergonha, sem o menor esforço pra esconder e rindo muito de suas próprias caras. Voltei pra casa um pouco atordoada e a semana passou como se fosse uma pesquisa. A todo momento garotas próximas apareciam com histórias sobre seus “problemas”, “casos”, “ex” e essas gama toda de rapazes bem sucedidos em “ter o poder de comer bem uma mulher…” Algumas casadas que admitiam gostar na verdade do ex, mas que o fulano era o marido certo. Teve também aquela que ouviu da boca de seu ex caso que ele não gostava mais dela…e mesmo assim, ela tem dificuldades em enxergar isso e acredita que ainda há um dia em que ele vai perceber que gosta mesmo é dela. Além de falta de vergonha na cara, o que mais tá faltando nessas garotas gente?
Quando eu achei que isso já não tinha mais solução, eis que aparece hoje uma grande amiga indignadíssima pra me contar o fim de seu “pega romance meio fixo.”
Pra resumir. Ficavam há um bom tempo. Ela começou apaixonada, o cara foi levando e ela teve que ficar mais esperta. Até que se convenceu que nem queria mesmo namorar ele, que o sexo era incrível, a pessoa um barato, mas namorar não. Até que dia desses o gato (que sempre exerceu seu papel de “canalha volúvel, mas querido” muito bem) depois de dias se declarando abertamente com toda sua pieguice paraguya, chama ela pra ficar com ele em sua casa. Ela vai, com cervejas, perfumes por todo o corpo e muito sex appeal. Tudo muito ótimo, tudo muito bem. Após as cenas de amor, aparece um amigo “por acaso” falando de um aniversário “indispensável”. Querendo morrer com a cena ridicula e mentirosa, a garota pega toda sua raiva presa na garganta e vai se encaminhando pra ir embora, com um sorriso lindo no rosto, claro. Eis que na porta, o rapaz solta um sonoro “Brigadão fulana…” Sem olhar pra trás e com o choro preso ela responde já da escada “Disponha querido…”. Nessa parte da história, completamente indiganada por ser minha amiga e com a cafajestagem tamanho GG eu penso: Mas também, o cara se declarando há dias, a garota bate o pé que nada haver namorar…sugerindo exatamente o quê?
Compreendem? O que querem afinal? Assumem uma postura de auto-suficientes e descoladas, mas não suportam o peso quando um elefante vem lá de cima junto com o balde de àgua fria…Ou você é forte suficiente para aguentar o tranco da resposta à sua atitude ou desaba mesmo, arriando os quatro e pronto.
Mas a história tem um final feliz. Ela chega lá embaixo e manda a mensagem “Sou muito mulher pra virar espetinho de malandro…” Com dor no coração deleta do msn, apaga da vida e principalmente do coração. Não quer nunca mais ver esse porco cafajeste em sua vida e vai viver o carnaval que se aproxima com toda graça que lhe pertence. Próoooximoooooo.
É isso. Se você tem capacidade de ser colocada num espetinho e ser comida aos poucos bem tranquila tudo bem. Senão, diz desde o começo que na verdade é um belo pedaço de picanha e pronto. “Sinceridade consigo mesma, gata.” Parafraseando outra espécie de cafajeste…
Arquivo para Janeiro, 2008
Meu corpo é só festa.
Festas bonitas e bem organizadas sempre merecem comentários.
A Renite e a Sinusite sempre funcionaram muito bem como dupla na organização de eventos patológicos. Conseguem reunir harmonicamente em um mesmo ambiente vários tipos de sintomas e por isso são donas do famoso empreendimento “Alergia”.
Para comemorar o sucesso obtido no ano anterior, resolveram voltar com a corda toda logo no mês de janeiro, aproveitando o verão que dá tantas condições para o sucesso das festas. A organização começou com a Corisa que ficou responsável por toda a parte da divulgação. O Espirro chega agitando, fazendo o som, ajudado por sua parceira Coçeira, que anima todo mundo. O Catarro cuida da segurança, trancando tudo para evitar os famosos penetras. Com a ajuda da Coçeira acaba dando um ajudinha na decoração que fica toda em tons avermelhados.
A Tosse é a primeira convidada a chegar. Como amiga muito próxima da Renite e Sinusite, ficou quase dois meses hospedada no corpo, mas indo embora sem mais nem menos devido ao seu caráter um tanto quanto volúvel. Sofre por ter uma relaçõa conturbada com a Dor de Garganta, mas sempre acabam voltando juntas e dando um toque todo especial ao evento. Logo aparecem a Dor de Cabeça, do Corpo e até mesmo a da Consciência chega de longe para se divertir.
Lógicamente que os agente da lei Amoxilina e Dorflex dão o ar de sua graça acabando com todas as possíveis contravenções da festa. Mas o banho de chuva com vento, a tentação da chiboquinha, a falta de disciplina com horários e de descanso são advogados da organização e mostram o alvará para a festa acontecer. A Dor de Estômago, filha da Gastrite, só vem depois que os agentes aparecem, pois sempre teve problemas com a lei.
A dupla tem o feeling para dar certo no ramo. Sabe que as festas durante a semana são muito legais, mas a festa bombou mesmo durante o final dela, começando na sexta à noite, seguindo por todo o sábado e domingo, se extendendo pra segunda-feira. É que a Tosse tomou o lugar do espirro no comando da música e os convidados que pareciam cansados se reestabeleceram e se animaram novamente. A organização prontamente mandou avisar a Saúde que ela ão precisa vir limpar o salão pois a festa ainda vai longe…
Ps: Sabe o famoso Termo –pró? Pois é, ele foi proibido. Deveria ter pensado nisso antes de tomar 2 para passar 36 horas acordada (o que foi uma puta ajuda nessa extensão da festa pela semana) Enquanto tudo está animado e você em movimento, okey. Mas quando o domingo chega ao fim e você tem que parar…é lindo o que acontece. Dá brilho sabe minha gente? E aí eu acredito quando a minha mãe diz que eu não deveria “ter tomado drogas“ pois o problema é ter que acordar cedo no outro dia pra trabalhar e você tá lá, na cama, podre de cansada mas ligada horrores com a respiração ofegante, o coração acelerado e o raciocínio completamente desnorteado. Pfff.
Música para festa pessoal.
Gestação prolongada.
Existe um texto aqui na minha cabeça há séculos. Ele tá aqui, cheio de frases, idéias e imagens, mas ainda não se sente pronto para sair. Parece uma gestação em que cada mês o feto vai sendo abastecido com nutrientes que fazem ele crescer até que não caiba mais lá dentro da barriga da mãe. Minha cabeça é a placenta e o texto o feto.
Mas parece que eu já atingi os nove meses e ele continua aqui, insistindo em permanecer, sugando todos os meus nutrientes. A cada novo fato que acontece ao meu redor, cada nova idéia compreendida, ele cresce, forma frases novas, reformula outras e acumula conceitos sobre o assunto. E assim, ele não pára de crescer inchando o espaço disponível e não sai nunca daqui. O caso é: eu idealizo textos. Faço anotações, escrevo a mão, vejo filmes, escuto músicas relacionadas, faço mais anotações…e assim sigo, idealizando, como tudo em minha vida.
Eu não sofro daquele mal de não ter ou não conseguir arranjar tempo pra pensar na vida. Eu penso idealizando. Eu sou capaz de idelizar durante horas, dias, semanas e até mesmo (pasmem!) anos. E pra tudo que quero para minha vida. As pessoas que quero a minha volta, as que já estão aqui bem perto há tanto tempo, os acontecimentos futuros, as viagens, os próximos empregos, (por mais que eu tenha um recém adquirido), as noites de sexta-feira (terça, quarta, quinta…sábados e domingos à tarde. Só não ligo muito para as segundas-feiras.). Tudo. E aí eu junto pessoas com planos ideais e formo uma cadeia de expectativa. Vivo no futuro always.
Apesar de ter tudo para ser uma pessoa sonhadora, acredito no contrário. Sou extremamente realista. Crio buracos onde eles não existem para não perder de vista o chão duro. Só que aí esses buracos criam enoooormes abismos dentro de mim e apesar de ter tanto pra preencher, parece sempre que algo está faltando. Como no caso dos textos.
Caso seja OBRIGADA a escrever eu leio, releio, corto, tiro, coloco, tiro mais um pouco e assim ele nunca fica pronto, do jeito que eu…idealizei. Esses aqui que são para o meu livre exercício mental eu nem chego a colocar na tela, porque nunca me sinto preparada pra escrever ele como merece. A insipiração e as referências nunca são o suficiente e por isso acabo consumindo tudo que está a volta como nutriente pra alimentá-lo.
Perfeccionismo? Hmmm, acho que não. Parece mais um sentimento de falta. Uma vez uma amiga minha veio e me disse: “Iza, preciso encontrar alguma coisa. Sabe quando você tá com fome o tempo todo e não há o que te deixe satisfeita? Você abre a geladeira, apesar de estar cheia não há nada lá que seja capaz de te alimentar, deixando aquele rombo enorme por lá. Acho que tenho que encontrar Deus…” Se era Deus ou não eu não sei, mas eu tenho um rombo desse, e por isso idealizo tanto. Queria um emprego. Tenho um, pensando em outro. Queria um apartamento só meu. Tenho, mas falta a geladeira, a estante, o guarda-roupa. Queria viver um romance, mas nunca ninguém é suficientemente cabível nos meus planos bonitos. (“Você acha defeitos em todo mundo, inclusive em você.” Os piores defeitos que enxergamos nos outros são os nossos hun?) Queria escrever maravilhosamente bem, mas minhas vírgulas nunca estão nos lugares certo. Um reflexo da vida na produção textual.
Mas decidi que essa gestação toda chegou ao fim. Minha pernas já estão inchadas e a coluna curvada. Vou fazer cesariana desse texto. E começar a por ordem nestes buracos emocionais e psicológicos. Aguardem pra conhecer a bela criança que eu vou colocar no mundo. Aguardem.
All my life – Foo Fighters
All my life I’ve been searching for something
Something never comes never leads to nothing
Nothing satisfies but I’m getting close
Closer to the prize at the end of the rope
All night long I dream of the day
When it comes around then it’s taken away
