Olhando os prédios de longe, onde se pode enxergar todo o conjunto habitacional da cidade, eu tive uma sensação hoje de que eles são tipo personagens da nossa vida. Eu olhei para um deles procurando uma referência para achar o prédio onde eu morava, identificando então todos os outros em volta. Senti como se eles fossem mais que referência, fossem personagens.
Não narradores, mas figurantes. Eles observam tantas coisas…tanto o que acontece dentro deles mesmos, quanto o que se passa em volta. Mas eles ficam ali parados, somente guardando o que viram, o que passou, mesmo que tenha sido ali dentro, em cada espacinho que o constitui. E o que fazem com tudo isso que vêem e passam? Nada, eles são prédios.
Mas olhando ao meu redor, eu acho que existem as pessoas-prédio. Elas estão aí, sempre na vida de todo mundo, todos os dias. Milhares de coisas acontecem ao redor delas, com elas, dentro delas…e elas continuam paradas…sem reação, deixando tudo lá, parado como está.
A diferença é que os prédios não têm vida, não podem se mexer, tomar atitudes…viver. Eles só podem ficar ali. As pessoas-prédios podem ter vida, podem ser mais que isso, mais que uma incógnita fugitiva e muitas vezes furtiva, roubando das pessoas emoções que deveriam ser vividas.
Mas não. O máximo que as pessoas-prédio fazem é chorar quando chove, fazer suas caras de prédio e pronto. Assim elas vivem a vida…feito figurantes.
Motion Picture Soundtrack – Radiohead
Beautiful angel
Pulled apart at birth
Limbless and helpless
I can’t even recognize you
I think you’re crazy, maybe
I will see you in the next life