Arquivo para Abril, 2009

09
Abr
09

Os quatro abraços diários

Há dois anos atrás, eu trabalhava com a minha tia. Um dia eu li um artigo sobre um estudo que comprovava científicamente que nosso corpo PRECISA de pelo menos 4 abraços diários. Aí eu e ela acordamos que todos os dias daríamos 4 abraços uma na outra.

O tempo passou, eu saí da empresa e fui viver minha vida. Até hoje eu e ela lembramos do acordo e como não nos vemos mais todos os dias, quando nos falamos mandamos os 4 abraços, mesmo que de longe.

Ontem, lembrei de tudo isso e sugeri para as meninas aqui da revista que fizéssemos o mesmo. Algumas concordaram, outra não. Das que não aceitaram, umas disseram que não sabem se tem coragem de dar o abraço e outras acharam isso uma grande besteira.

E eu fiquei pensando…uma coisa tão simples como um abraço, é tão dificil. Era mais fácil eu dar quatro abraços diários na minha tia do que um único na minha mãe. E mesmo ontem, quando encontrei meu namorado tive vontade de dar um abraço e simplesmente…fiquei com vergonha de dizer. Contei isso pra ele depois e ele riu, achando, claro, uma grande besteira. Desde então, os abraços que já eram bem comuns, agora são uma questão de compreensão entre nós.

Lembrei da campanha do “Free Hugs” e como ela durante um tempo foi febre e hoje virou coisa de loser. Mas quando proponho esse esquema dos quatro abraços diários para as pessoas, eu realmente penso que isso pode mudar alguma coisa. Todos nós precisamos de carinho, amor, apoio e hoje está muito dificil ter tudo isso. Estamos cada vez mais distantes, frios e na defensiva. Alguém aí viu “Crash”?

Eu achei esse artigo, apesar de não ser o mesmo que eu li há algum tempo atrás. Para quem quiser ler: http://www.andreiamoreno.com.br/Artigos/Jul_2004.html

Um abraço.

Para deixar minha tia e madrinha mais feliz do que está hoje, proponho essa música que sempre vai me lembrar a nossa época juntas.

See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the bedouin fires at night
See the oil fields at first light and,
See the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colours came out

It was a beautiful day
Don’t let it get away
Beautiful day

Touch me, take me to that other place
Reach me, I know I’m not a hopeless case

What you don’t have you don’t need it now
What you don’t know you can feel it somehow
What you don’t have you don’t need it now
You don’t need it now

Was a Beautiful day…

Beautiful day – U2

02
Abr
09

Cenas proibidas para menores

Cena 2

No gtalk me deixaram um recado:

“O que você faz se seu pai acha um baseado no carro dele, na manhã seguinte após você ter usado o carro? Sendo que no mesmo dia sai na Gazeta do Povo uma matéria sobre skinheads espancarem um estudante homosexual. E isso tudo acontecer duas semanas após você ter recebido uma garrafada de vidro, no mesmo carro, de torcedores do COXA…

O que você faz:

a) bebe muita água, pois seu pai quer fazer exame de urina

b) tenta convencê-lo amigavelmente de que o baseado era da sua amiga

c) você admite ser um jornalista fracassado e desempregado, além de gay e maconheiro

d) entra no gtalk para pedir ajuda da Izabella

e) foge de casa

Corta – Cena 3

No gtalk.

“Eu tive um problema nos últimos três dias, Iza. Eu não sei se você já ouviu falar…chama-se PRIAPISMO. Eu ainda tô assim na verdade. É ereção por no mínimo 4 horas. Nunca tive isso, é super bizarro…parece que tem um imã puxando a glande pra cima o tempo todo. Não preciso dizer que de tão constrangido nem saí de casa nos últimos dias”.

Eu digo: Meu deus. E você foi ao médico?

Resposta: “Não…não cheguei a ir ao médico, apenas elevei meus pensamentos…”

Corta – Cena 4

Conversinha de mulher…

Aquela minha amiga está lá, saíndo com um rapaz mais novo né? Aí tava achando estranho o fato de que ele estava sempre tendo problemas de ereção. Até que finalmente esses dias ela descobriu…(altera o tom de voz indignada) NÃO ERA PROBLEMA NENHUM, ERA PINTO PEQUENO MESMO!!!!

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Pelos próximos dias, estarei away no gtalk. Jesus me abane.

01
Abr
09

recepção.

Salas de recepção são sempre um caso a parte.

No médico, a gente fica procurando pela revista de fofoca mais recente, quando não encontra, pega aquela que tem artigos muito interessantes sobre o novo tratamento por video, que pode ser feito no braço… (???)

Mas e a sala de espera da terapia? Aquela em que você sabe que todo mundo que tá ali, tá tratando da cabeça? Tá, não sou o tipo de pessoa que acha que terapia é coisa de gente louca…até porque eu sou adepta há anos e adoro, venero e recomendo pra todo mundo. Mas é que você sabe que as pessoas procuram a terapia a partir de um problema pra resolver…algo que tá martelando, incomodando…e aí você fica analisando aquela pessoa que tá dividindo aquele espaço com você e pensando…o que a levou a estar ali.

Hoje, a psicóloga que me atende esqueceu que era o nosso dia de atendimento, devido a mudanças minhas de horário…aí fiquei lá, esperando meia hora por ela. Depois dos primeiros dez minutos, desce, com um dos terapeutas da clínica, um garoto de uns 15 anos. Senta no sofázinho do meu lado, sem nem olhar pra mim, fica bufando do meu lado por uns minutos até que pega o minigame e permanece ali mesmo, sem nem pensar em tirar os olhos do jogo barulhento.

Ok, continuo jogada na minha poltrona, olhando pro nada e pensando na vida. Eis que entra um rapaz. Todo suado, a roupa me parecia meio encardida, o tênis era destruído, usava uns anéis e uma corrente que parecia uma guia e que se fosse, era de exu. Mas devia mesmo ser do Atlético.

Entrou, não disse nada, olhou bem pra mim e pro menino, sentou. Pegou uma pedrinha branca do vaso e ficou apertando ela sem parar, tipo procurando o que fazer. De repente começou a dançar com a cabeça, de acordo com a música que tocava ao fundo e que no caso eu só reparei que tocava quando, com o canto do olho, eu consegui perceber o movimento que ele fazia. Ali, eu queria começar a rir. Faltou alguém pra trocar olhar comigo.

Quando ele falou: que calor aqui né? Tipo puxando aquele assunto, que quase ninguém puxa, minha terapeuta abriu a porta e soltou o semanal: Oi Izabella. Vamos? (Péin, salva pelo gongo!)

E ali, eu deixei o figura, com seu assuntinho mais ou menos e subi pra falar sobre os meus sentimentos da semana.

E assim vamos…o que acontece na sala de espera, fica na sala de espera. Assim como o que acontece no elevador, fica no elevador. E nesse caso, cada louco com a sua mania.