Salas de recepção são sempre um caso a parte.
No médico, a gente fica procurando pela revista de fofoca mais recente, quando não encontra, pega aquela que tem artigos muito interessantes sobre o novo tratamento por video, que pode ser feito no braço… (???)
Mas e a sala de espera da terapia? Aquela em que você sabe que todo mundo que tá ali, tá tratando da cabeça? Tá, não sou o tipo de pessoa que acha que terapia é coisa de gente louca…até porque eu sou adepta há anos e adoro, venero e recomendo pra todo mundo. Mas é que você sabe que as pessoas procuram a terapia a partir de um problema pra resolver…algo que tá martelando, incomodando…e aí você fica analisando aquela pessoa que tá dividindo aquele espaço com você e pensando…o que a levou a estar ali.
Hoje, a psicóloga que me atende esqueceu que era o nosso dia de atendimento, devido a mudanças minhas de horário…aí fiquei lá, esperando meia hora por ela. Depois dos primeiros dez minutos, desce, com um dos terapeutas da clínica, um garoto de uns 15 anos. Senta no sofázinho do meu lado, sem nem olhar pra mim, fica bufando do meu lado por uns minutos até que pega o minigame e permanece ali mesmo, sem nem pensar em tirar os olhos do jogo barulhento.
Ok, continuo jogada na minha poltrona, olhando pro nada e pensando na vida. Eis que entra um rapaz. Todo suado, a roupa me parecia meio encardida, o tênis era destruído, usava uns anéis e uma corrente que parecia uma guia e que se fosse, era de exu. Mas devia mesmo ser do Atlético.
Entrou, não disse nada, olhou bem pra mim e pro menino, sentou. Pegou uma pedrinha branca do vaso e ficou apertando ela sem parar, tipo procurando o que fazer. De repente começou a dançar com a cabeça, de acordo com a música que tocava ao fundo e que no caso eu só reparei que tocava quando, com o canto do olho, eu consegui perceber o movimento que ele fazia. Ali, eu queria começar a rir. Faltou alguém pra trocar olhar comigo.
Quando ele falou: que calor aqui né? Tipo puxando aquele assunto, que quase ninguém puxa, minha terapeuta abriu a porta e soltou o semanal: Oi Izabella. Vamos? (Péin, salva pelo gongo!)
E ali, eu deixei o figura, com seu assuntinho mais ou menos e subi pra falar sobre os meus sentimentos da semana.
E assim vamos…o que acontece na sala de espera, fica na sala de espera. Assim como o que acontece no elevador, fica no elevador. E nesse caso, cada louco com a sua mania.
Que discriminação!
Dizer que o cara é do Atlético.
hahahahahahaha
Pior que gente estranha na sala de espera, só o povo estranho do ônibus mesmo…