Arquivo para Junho, 2009

30
Jun
09

tenha dó.

Me lembro que desde novinha, quando comecei a tomar consciência dos relacionamento inter-pessoais, eu sempre selecionei as pessoas, dividindo-as em grupos, categorias, determinando a partir disso qual deveria ser meu relacionamento com tais.

Hoje pensando, criei uma categoria chamada de “pessoas vômito”, para determinar as pessoas chatas. Mas não só chatas, daquelas que fazem as mesmas perguntas todos os dias ou que não se tocam que você realmente não a quer do seu lado. Existe uma categoria de pessoas chatas em que a chatisse é mais profunda. Vamos aos tópicos para defini-las.

- reclamam e só. apenas reclamam, sem nunca olhar para ver que está tudo certo por ali e que os contra-tempos ou desejos (ainda) não realizados fazem parte do caminho.

- dão recados. não dizem nada, fingem que são confortáveis em um silêncio hipócita e aí, por covardia, apenas mandam recados.

- se vitimizam. se fosse pra ilustrar seria sangue pra todo lado, pois a pessoa é a própria vítima. nunca olha pra merda que espalhou (de propósito diga-se de passagem) e quais as consequências disso.

- remoem. meu deus, como remoem. são mal resolvidas 100% (porque todo mundo tem um pouco de mal resolvido mesmo, não adianta ficar de discursinho).

- sugam. não dividem, não doam nada em relacionamento inter-pessoais. apenas sugam, vampirizam as pessoas, querendo apenas o melhor dos outros.

- dramatizam. ai, fazem um drama pra tudo e soltam frases do tipo: “o que eu tenho de errado”. bah.

Uf, vocês me dão enjôo.

Aqui tem um trecho de um texto que eu li hoje que fala de uma atitude bem comum desses chatos.

“o rosto fechado e sombrio é quase sempre sinônimo de pessoas tomadas pelo síndrome da vítima, a compulsão de pôr a culpa de tudo nos outros, a evasão total e descarada de responsabilidade. É aquela história: o mundo me persegue. Ninguém me compreende. Deus criou tudo apenas para que eu fosse sacaneado. Para estas pessoas, Sartre criou a frase definitiva: o inferno são os outros”. – Fabio Hernandez

êeeee, adoro esse cara.

29
Jun
09

O movimento não é sexy

Gosto muito da sensação de não estar mais em um turbilhão social, onde as coisas acontecem com uma velocidade inacreditável, tanto os fatos como o falatório consequente. Mas sempre existem pessoas entrando e saíndo desse turbilhão, cheias de histórias pra contar: novidades, fofocas, conclusões, julgamentos, mentiras…pf. Que sufoco.Mas o melhor de tudo é sentar e ver tudo isso de bem longe e voltar pra casa tranquila, agradecendo por estar em local seguro.

Mas algumas dessas notícias sempre me fazem pensar que as pessoas mudam sim, algumas vezes pra melhor, outras para pior. Tem gente que aprende com erros do passado. Outras vivem remoendo situações até hoje, cheios de rancor e vitimização. Tem também gente que continua igualzinho, com as mesmas atitudes, causações e comportamento, só trocando o figurino hype do momento, como sempre. E tem também aquelas que acabaram de entrar no furacão e caem direto no olho dele, mal sabendo na confusão em que está prestes a adentrar.

Mas se tem uma coisa que não muda é a noite. Ela sempre oferece as mesmas oportunidades e as mesmas situações. O que muda são apenas os personagens, que constantemente acham que fazem parte de uma grande coisa, sem se deixar perceber que estão à procura dessa tranquilidade, de local seguro e silêncio.

É muito simples. Todo mundo passa a semana à espera dos acontecimentos do final de semana, para depois que ele acabar, passar a próxima semana falando sobre e esperando pelos acontecimentos do próximo.

Esse é o movimento, em que nada flui e transforma, apenas circula, voltando ao ponto de partida.

24
Jun
09

Yes, we can!!!

Hoje recebi um release com o seguinte assunto: “Eu posso ser feliz do meu jeito”.

Abri o mail, li o tal release e aí me coloquei a pensar que essa frase realmente faz sentido.

Imersos em milhares de livros de auto-ajuda recebemos fórmulas fantásticas de como devemos fazer para sermos mais felizes, conquistarmos tudo aquilo que queremos, atitudes a tomar frente aos problemas…e então há algum tempo já nem sabemos mais qual é o jeito certo de sermos felizes, até porque né pessoal, esse jeito nem existe.

São mais ou menos 6 bilhões de pessoas nesse mundão de Deus. Todas elas diferentíssimas entre si. Como é que faz para todas essas conseguirem a partir de uma mesma forma milagrosa a sua felicidade? É a mesma fórmula tanto para o pessoal que quer fazer pesquisa na Antártida quanto para as freiras dentro dos conventos? Oh Jesus.

Realmente, eu posso ser feliz do meu jeito, porque esse jeito só eu mesma que sei. E se conselho fosse bom né gente? Dava pra vender. Então, vamos lá, coragem. Cada um cuidando da sua felicidade. Sem padrões, sem recortes fantásticos, sem propaganda de margarina.

E viva a diferença. Yes, we can.

23
Jun
09

Todo carnaval tem seu fim

O que é para sempre?

Nada, nem mesmo o amor dos pais. Eles morrem geralmente antes de você e quando vão embora, o amor acaba. Por mais que eu acredite em reencarnação, na prática, é isso. A gente continua vivendo uma vida material e o amor, apesar de ser imaterial, impossível de ser medido e somente sentido, vai embora junto com a presença, com o cotidiano, com a companhia.

O amor dos amigos também acaba. Tudo aquilo que pulsava por tantos anos, por tantas situações, um dia mingua, perde o sentido e morre.

Os relacionamentos. Ah esses estão aí todos os dias acabando aos montes,  mostrando pra gente que tudo tem um fim, por mais que seja daqui 60 anos.

Tudo tem um fim. E que medo desses fins. Os meus demoram tanto para serem digeridos que talvez eu sofra mais com essa preparação e prorrogação do que com o fim propriamente dito. Isso tudo porque o fim liberta, deixa o ar renovado, dá espaço e propõe caminhos ainda não descobertos e puta…que medo de tudo isso aí.

Porra, que tanto pra entender. Principalmente que os fins levam a gente pra bem perto de tudo que a gente mais quer: a intensidade, a alegria e o prazer do prometido pra sempre.