Aqui no setor que eu trabalho temos 6 mulheres na revista e 3 na agência de publicidade. Final de expediente, leitura do Ego e afins, eis que surge a eterna defesa: “Ah, eu sou muito mais Jeniffer Aniston”. Todas em unanimidade concordaram argumentando que a Angelina não passa uma coisa boa, que o que ela fez foi sacanagem e whatever…
Eu também faço parte desse time pró-Janiffertraídadasilva. Mas me peguei pensando o quanto nós mulheres temos certas idéias meio machistas pré-concebidas e a partir disso determinamos nosso comportamento. Ninguém gosta da Angelina Jolie porque ela sempre exerceu aquele papel de devoradora de homens, porque ela conquistou o Brad Pitt quando ele ainda estava casado, porque ela é toda esquisita, neurótica, louca e estranhamente bonita. A Jeniffer Aniston é a eterna Rachel de Friends, ela casou com bonitão no alto de um morro, com vista pro mar, viveu um romance, é bonita do tipo certinha, além de sempre interpretar o papel de vítima forever quando se fala nessa história… óbvio que todas nós nos identificamos logo com ela, nos associamos na dor junto com ela, assumimos sua briga, afinal de contas, ela foi traída. Não colocamos a culpa no Brad e sabe o porquê? Porque ele é considerado o cara mais bonito do mundo, porque ele além de tudo é um super pai, porque ele é politicamente correto, porque ele fez campanha pro Obama…sabe? Onde é que o pessoal acha espaço pra culpá-lo pela traição?
Pensando nisso e trazendo pra realidade, não é muito difícil achar histórias assim logo aqui do lado, em que a culpa é da mulher-tentação que provocou a traição, não do rapaz comprometido que fez a cagada consciente. E por quê minha gente? Porque por mais modernas e feministas que tentemos ser, ainda estamos extremamente arraigadas em valores machistas que nos dizem que é da natureza do homem trair, que é óbvio que ele não ia resistir uma mulher como aquela ali dando sopa, que é perdoável… Nos identificarmos com a coitadinha da história e enxergar a outra como um tubarão esperto é tão natural quanto perdoar o namorado/marido e continuar odiando a tal da “vadia”. Não culpo ninguém por sentir e fazer assim, muito pelo contrário. É exatamente assim que rola e eu sei.
Acredito hoje que apesar dessa característica machista nesse tipo de história, nós mulheres sabemos que no fundo, no fundo, todas estão competindo entre si e que são capazes de qualquer coisa quando querem atingir um objetivo. Se precisar pisar, fingir, manipular, gritar, a gente faz e ainda mais forte, se a concorrente for outra mulher. Não dizem por aí que mulher se arruma para outras mulheres? (Podem negar as mais afoitas e feministas, não ligo, pra mim, tudo discursinho fácil). É por isso que a gente reconhece de longe quando uma mulher foi mal caráter, quando ela fez com maldade no coração, sem dó nem piedade. Percebemos logo pelo simples fato de sabermos que faríamos exatamente igual. O que nos diferencia é a capacidade de fazer isso de modo mais silencioso ou não. Existem aquelas que ainda não fazem coisa nenhuma, só sonham em fazer porque não tem coragem. Mas também é só até o dia em que essa força acaba sendo maior que elas próprias e sua covardia.
No fim das contas, eu acho que se tratando de competição, nenhuma de nós mulheres vale alguma coisa. No frigir dos ovos, valemos muito menos que esses homens que se acham muitos donos da malandragem, quando na verdade são apenas objeto de uma força psicológica e natural, completamente feminina.
Aquela coisa… os defeitos que a gente mais odeia em nossos inimigos, provavelmente são os nossos piores e é assim que nos vemos no espelho e ficamos putos da cara. O jeito mais facil é quebrar esse espelho, não é?